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Eu caí no modo sobrevivência (e demorei para admitir)
Patrícia Córdoba · 14/09/2026
Quero te contar sobre o meu último mês: estou de mudança, fiz uma cirurgia, estou com o trabalho fervendo e com uma pressão enorme para fazer tudo se encaixar.
Passei semanas reclamando e completamente esgotada. Não importava quantas horas eu dormisse, a sensação de cansaço nunca passava.
Fiz o que precisava ser feito sem pensar, no piloto automático, apenas sobrevivendo. E aqui eu até valorizo a minha constância de anos, porque foi essa base que me manteve em pé.
Mas nada se compara a sair desse estado de alerta e reencontrar a presença. Em algum momento, cansei de reclamar da rotina e admiti o que estava acontecendo. Acredite: eu falo sobre consciência há quase uma década, e não foi nada fácil aceitar que eu tinha voltado para o modo de sobrevivência.
Só que admitir a realidade foi o primeiro passo para buscar uma saída. Tentei reler livros antigos que já tinham me salvado, mas eles não funcionaram desta vez. Fui em busca de coisas novas para acalmar o peito. E adivinha?
Comprei um livro para o trabalho achando que era uma leitura técnica sobre atenção plena e TCC. Quando a encomenda chegou e percebi que era autoajuda, fiquei arrasada. Mas o livro já estava ali, comecei a folhear e, nas primeiras páginas, meu coração desarmou. Não consegui mais parar.
Não era exatamente o que eu estava procurando, mas era exatamente o que eu precisava. Isso me fez lembrar de algo poderoso: quando a gente se coloca em movimento e se abre para buscar ajuda, a vida dá um jeito de nos entregar as respostas. Às vezes elas vêm disfarçadas de um erro no pedido, de uma conversa inesperada ou de algo bem diferente do que planejamos. O importante é dar o primeiro passo e se colocar à disposição.
Estou quase no fim do livro, me sentindo infinitamente mais leve e com a energia renovada.
Nos últimos dias, voltei a acordar feliz e genuinamente grata pela minha vida.
E o melhor foi conseguir reconhecer que essa fase em que eu entrei não começou na mudança ou na cirurgia; na verdade, a mudança e a cirurgia foram apenas o auge para que eu reconhecesse e me reorganizasse.
É interessante como a gente demora para perceber que não estamos no nosso melhor e vamos levando como se estivéssemos. Isso é o que chamamos de viver na fantasia, na inconsciência... Damos mil desculpas para justificar o "não estou bem" para evitar a responsabilidade de escolher viver como nos faz bem.
Geralmente a culpa é do outro, do mundo, da política, do dinheiro, e assim vamos, justificando e esperando o mundo ficar perfeito para decidirmos ser responsáveis pela nossa própria felicidade.
No livro A Bailarina de Auschwitz, da psicóloga Edith Eger, sobrevivente do campo de concentração, uma história contada em meio aos horrores da guerra é exatamente sobre essa nossa capacidade de sermos responsáveis pelo nosso mundo interno: mesmo quando nos tiram absolutamente tudo, a última liberdade humana que nos resta é a escolha de como reagir àquilo que nos acontece.
Eu já fiz tanto pela minha autorresponsabilidade de ser feliz que posso hoje te afirmar: nada é garantia de felicidade eterna. Precisamos estar atentas sobre como estamos nos relacionando com o mundo e como o mundo se relaciona conosco. E ser feliz é uma escolha que fazemos todos os dias.
Se você tem se sentido triste ultimamente e está difícil encontrar gratidão e felicidade nas coisas simples do dia a dia, não desista. A capacidade de recuperar a sua energia já existe dentro de você e acreditar nisso se chama esperança.
Quando precisar de um espaço para desacelerar e voltar para si, você já sabe onde nos encontrar.
Com esperança, Patrícia Córdoba Fundadora do Hooy
